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Pão de Açúcar vai entrar no segmento de franquias
Regiane de Oliveira

O Grupo Pão de Açúcar tem planos para entrar no setor de franquias com sua bandeira de lojas de conveniência ExtraPerto. "O desenho está pronto para transformar as lojas em franquia", afirma Hugo Bethlem, diretor das unidades Extra, CompreBem e ExtraPerto.

O projeto deve entrar em operação em 2008, já que neste primeiro momento a companhia supermercadistas está testando o novo formato. As lojas de conveniências, inauguradas em novembro, são baseadas nas experiências bem sucedidas de varejistas inglesas, como Tesco Express e Sonerfield, e também nas operações do sócio francês Casino.

O grupo francês tem cerca de seis mil lojas de conveniência, com destaque para as marcas Vival e Petit Casino - que opera quase exclusivamente no formato de franquias, principalmente no interior do país. "As franquias estão de acordo com o posicionamento que queremos dar para a marca", diz Bethlem, com o dono à frente do negócio.

Por enquanto, apenas quatro unidades ExtraPerto estão em funcionamento, nos bairros Liberdade, Moema, Itaim e Tatuapé, na capital paulista. Na próxima sexta-feira, a empresa inaugura também uma loja no Largo do Arouche.

Até janeiro, estão confirmados a abertura de mais cinco unidades. A meta, porém, é ainda mais audaciosa. Segundo Bethlem a expectativa é inaugurar de 50 a 60 lojas em 2007, o que representa investimentos da ordem R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões. Esse valor é pequeno quando comparado ao da inauguração de um supermercado, cerca de R$ 20 milhões. "Com meio sobrado eu faço uma loja", diz o executivo, uma vez que o custo médio é pequeno - cerca de R$ 500 mil.

Antes de investir em franchising, o Pão de Açúcar quer esgotar as possibilidades da estrutura existente. "Queremos ter rentabilidade desde a primeira loja", afirma o executivo. E segundo ele, oportunidades não faltam, já que a bandeira foi criada para disputar o segmento de comércio que mais cresce no País, de lojas com até quatro check-outs (caixas).

Segundo pesquisa da ACNielsen, esse pequeno comércio apresentou em 2005 taxas de crescimento de 17,2%, enquanto os supermercados (de 20 a 49 caixas) e hipermercados (mais de 50 caixas) tiveram queda de 8,8% e 8%, respectivamamente.

"O comércio de conveniência movimenta R$ 50 bilhões por ano", diz Bethlem. O montante é hoje dividido entre o pequeno comércio de bairro e praticamente duas únicas grandes redes de vizinhança: Dia %, do concorrente Carrefour, com cerca de 230 lojas e Econ, da Companhia Brasileira de Alimentos (CBA), com aproximadamente 47 unidades. O Wal-Mart também está entrando na concorrência com a bandeira TodoDia, com 14 lojas.

Investir para vender em 2007

O Pão de Açúcar investiu em corte de custos e conseguiu, neste ano, uma economia de R$ 120 milhões, que serão reinvestidos na rede. O valor é resultado de melhorias de processos, como compartilhamento de serviços, que levou a uma redução de R$ 46 milhões nos custos da empresa, e criação de uma agência interna de publicidade, que trouxe uma economia de aproximadamente R$ 15 milhões.

E 2006 será o ano de investir para aumentar a rentabilidade nas áreas de vendas, afirma Abilio Diniz, presidente do conselho de administração. Desde julho a empresa tem praticado uma estratégia agressiva de melhorar os preços e trazer de volta os clientes.

No entanto, apesar das apostas da rede, Diniz afirma que o consumo não está melhorando e que o ano de 2007 continuará fraco. "Enquanto o País continuar crescendo em 3% ao ano será difícil um aumento do consumo, principalmente porque a classe média está com a renda comprometida", afirma.

Para ele, o País deve voltar a crescer a médio prazo. "E quando isso acontecer estaremos preparados para a demanda".
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