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Overdose de lojas na guerra dos cafés
A Starbucks, maior rede de cafeterias do mundo, mal desembarcou no Brasil e já interferiu no rumo das concorrentes locais. Há alguns meses, os sócios brasileiros da rede - o casal Peter e Maria Luisa Rodenbeck - reuniram-se com executivos da Ipanema, sua principal fornecedora de café no País, para uma conversa séria. Os Rodenbeck foram categóricos: se a Ipanema quisesse manter o plano de expansão da sua Cafeera (com três lojas em São Paulo), perderia o contrato de fornecimento não só no País, mas em todo o mundo.

A Ipanema - fazenda que tem o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga como sócio - não teve outra opção a não ser abortar o projeto. Pudera. Atualmente, 15% do seu faturamento vem da venda de cafés para a Starbucks. As três cafeterias representam menos de 2% das receitas.

“A expansão seria um conflito”, admite Washington Rodrigues, presidente da Ipanema. “A Cafeera pode continuar como marca, mas não será operada necessariamente pela Ipanema. Se aparecer alguém que pague bem pela rede, a gente vende”, diz. O problema é que, sem o café produzido na fazenda Ipanema, a Cafeera pode perder boa parte da sua graça. Os diferentes tipos de grãos colhidos na fazenda do interior de Minas Gerais podem ser torrados, moídos e embalados na própria loja e serem levados para casa.

A Cafeera foi uma das precursoras da onda de cafés gourmet em São Paulo. Desde que ela abriu sua primeira casa na cidade, há sete anos, o mercado mudou radicalmente. A quantidade - e, principalmente, a qualidade - das cafeterias não é mais a mesma.

O brasileiro não bebe mais café como antigamente. Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) revelou que 29% das pessoas consumiram café fora de casa em 2005. Um ano antes, o porcentual era de 17%.

O consumo de café cresce mais rápido no Brasil que no resto do mundo. O País é o maior produtor e o segundo maior consumidor mundial da bebida. Se crescer 1 milhão de sacas a cada ano a partir de 2006, ele pode ultrapassar os Estados Unidos em 2010, segundo projeção da Abic.

OVERDOSE

Há pelo menos cinco anos a Starbucks ensaia sua chegada ao País - a própria Ipanema, dona da Cafeera, foi cotada como possível parceira da rede americana no passado. Agora que decidiu entrar no Brasil, ela vai encontrar um mercado muito mais concorrido que antes.

Só no Shopping Morumbi, em São Paulo, onde serão abertas as duas primeiras lojas da rede, há 19 cafeterias. “A Starbucks vai encontrar um mercado em expansão e abastecido de cafeterias”, diz o diretor executivo da Abic, Nathan Herszkowicz.

O Brasil ganhou cafeterias sofisticadas, ao estilo da Starbucks, como Santo Grão (duas lojas), Suplicy (três lojas) e Il Barista (três lojas). O País já tem também algumas redes de franquia locais estruturadas - casos da Grão Expresso, Fran”s Café e Café do Ponto.

As últimas unidades do Café do Ponto, da multinacional Sara Lee, estão sendo abertas segundo um conceito muito parecido com o da Starbucks. Há mais sofás e mais diversidade de grãos - são dez tipos no cardápio. “A idéia é que o cliente fique à vontade e passe mais tempo na loja. Mesmo os quiosques têm o estilo lounge”, diz Rodrigo Cavalcanti, gerente de franquias da empresa.

A rede está em processo de expansão geográfica. Ela tem 70 lojas, mais concentradas em São Paulo, e pretende abrir outras onze até o começo de 2007. “Vamos priorizar capitais onde ainda não estamos.”
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