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Opção pelo shopping passa por equação delicada
Trata-se de uma equação delicada para um microempresário independente decidir levar seu negócio para um shopping center. A opção representa maior segurança e a garantia de um fluxo de consumidores de alto poder aquisitivo e disposição para gastar, afirmam lojistas e especialistas. Mas é preciso estar ciente dos custos mais elevados do que os de uma loja de rua e, principalmente, da rigidez de regras que muitas vezes beneficiam cinemas e lanchonetes, prejudicando pequenos varejistas, como ocorre com a obrigação de abrir aos domingos.

"Em primeiro lugar, é importante avaliar o perfil dos consumidores do shopping center, para saber se está de acordo com o que a loja irá vender", afirma Luiz Paulo Fávero, coordenador de pesquisas do Provar - Programa de Administração de Varejo, um centro de estudos vinculado à Faculdade de Economia e Administração da USP. "O lojista também precisa saber exatamente quais serão seus custos com aluguel e condomínio, mas também com impostos municipais, estaduais e federais, o que nem sempre é levado em conta".

Caso decida por um shopping center, o empresário terá de considerar algumas limitações inerentes a um espaço coletivo e normas nem sempre favoráveis. É o caso, diz Fávero, da proibição de se colocar faixas e banners na fachada das lojas, prática comum em ruas comerciais. "O fato é que o lojista terá de aprender a trabalhar com um menor grau de independência caso opte por um shopping", avalia. Outro ponto a ser levado em conta diz respeito à dificuldade de os pequenos lojistas terem espaço nas assembléias de condôminos. "Para quem não é franqueado, é difícil ter voz ativa. E essa é uma questão fundamental", afirma.

Mas há também os aspectos positivos de se estar em um shopping center. O que ajuda a explicar o fato de os pequenos muitas vezes serem maioria em empreendimentos comerciais de peso. Nabil Sahyoun, presidente da Associação de Lojistas de Shopping Centers (Alshop), estima que as micro e pequenas empresas representem cerca de 70% do total de empreendimentos em shopping centers. "Para o lojista, o shopping representa um fluxo garantido de clientes, que desfrutam de um ambiente tranqüilo em que poderão passar horas sem ser incomodados", afirma. Sahyoun considera que as franquias deverão ganhar espaço também entre as prestadoras de serviços, especialmente aquelas que ocupam uma pequena área e, portanto, conseguem arcar com o aluguel e o condomínio cobrado pelos shopping centers.

Marcela Silva, gerente da Bacuri, loja especializada em moda infantil presente em três shopping centers da capital paulista, diz acreditar que nem mesmo o custo mais elevado chega a ser um problema, dependendo do negócio. "O custo maior é compensado por um preço final também maior. O cliente que vai ao shopping sabe disso e está disposto a pagar mais", afirma. Além da segurança, Marcela destaca o fato de o shopping contar com um menor número de lojas vendendo os mesmos produtos, o que também facilita a vida do lojista. Estacionamento garantido, proteção contra a chuva ou o calor excessivo são outros pontos a favor dos shopping centers.

Outro ponto que precisa ser analisado é o tamanho do espaço que o empreendimento ocupará, para evitar custos desnecessários. "O tamanho da operação precisa estar de acordo com o tamanho do faturamento estimado", afirma Marinei Cestari, gerente-geral de marketing da Rede Plaza, administradora dos shopping centers Paulista e West Plaza, ambos em São Paulo. Marinei avalia que a variedade de empreendimentos é importante para atender ao maior número de necessidades dos consumidores. "Muitas lojas conseguem ampliar o leque de produtos, com ganho para clientes e para os shoppings como um todo", diz.

Consultor especializado em varejo, o professor da FEA-USP Nelson Barrizzelli considera que os pequenos varejistas precisam muitas vezes vencer uma barreira a mais, pelo fato de não serem uma marca conhecida. "Para uma pequena loja, desconhecida, estar em um shopping é complicado. Muitas vezes os principais shopping centers nem aceitam uma loja com pouca experiência", afirma Barrizzelli. Já no segmento de serviços o espaço para os pequenos "sem nome" é um pouco maior. "Nos serviços, o que vale é a qualidade do atendimento, a marca conta pouco para o cliente", considera.

Proprietária da Quick Cell, Bela Schvaitzer optou por abrir sua loja em um shopping pelo fato de vender celulares e itens de informática, produtos visados por assaltantes. Bela, no entanto, aponta várias dificuldades para os pequenos trabalharem em shopping centers. "Não faz sentido os lojistas pagarem o condomínio dobrado em um mês por conta do Dia dos Pais. Muitas vezes o faturamento não acompanha", afirma. A empresária também considera injusto ser obrigada a abrir aos domingos, quando só cinemas e praças de alimentação têm de fato movimento. "Acabamos pagando a conta, já que abrir aos domingos implica ter ao menos mais um funcionário", avalia.
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