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Nanotecnologia sai da ficção científica e estimula a competição na indústria
A estilista italiana Alexandra Fede despertou olhares curiosos ao exibir um levíssimo cashmere à prova de balas. A coreana LG conquistou o coração aflito dos americanos ao lançar, no calor da gripe aviária, um ar-condicionado capaz de filtrar vírus e bactérias. Os carros da alemã Mercedes-Benz não dispensam uma pintura milagrosa que praticamente impede os indesejáveis arranhões e mantém o brilho por mais tempo. Tenistas de primeira linha só pisam nas quadras com raquetes levíssimas, feitas com um material específico que aumenta a potência do golpe na bolinha em 22%. Parisienses que usam produtos da brasileira Natura aprovaram um creme que promete a sensação de frescor na pele por 24 horas.

As inovações citadas acima colocam em um mesmo time LG, Mercedes-Benz, Wilson, Natura e uma série de outras companhias. De ramos distintos e com um cardápio de produtos diverso, essas empresas, sem exceção, têm um ponto em comum: usam a nanotecnologia.

Trata-se de uma ciência que permite a manipulação de átomos e moléculas. Para se ter uma idéia, um nanômetro é equivalente a um bilionésimo do metro.

Na prática, a nanotecnolgia - cujo prefixo vem da palavra grega que significa anão - torna reais produtos que, até recentemente, pareciam ser apenas ficção científica. Um exemplo? Calças que, em contato com a pele, depilam as pernas. Ou biquínis que avisam as mocinhas a hora que elas têm que sair do sol. Ou, ainda, uniformes para uso militar que bloqueiam a entrada de gases químicos. Esses produtos ainda não estão disponíveis no Brasil.

"Há um campo enorme para a aplicação nano", diz o entusiasmado Rogério Marchese, sócio da RJR Consultores. A sua empresa promove, de hoje até quarta-feira, o II Congresso Internacional de Nanotecnologia em São Paulo.

Uma conversa com Marchese é como um passeio pelo campo das possibilidades. Mas já existe - aqui e ali - um mercado "nano" consolidado, embora discreto. Imperceptível, talvez. "A maioria das pessoas não sabe que está usando ou comprando um produto com nanotecnologia", diz Kátia Gianone, da Nike do Brasil.

"Os consumidores pedem aquela raquete de tênis "levezinha", mas não sabem que nelas têm nanotecnologia", afirma Jairo Garbi, proprietário da Jairo Tennis Pro Shop, no Shopping Eldorado, de São Paulo.

O que esses fregueses - que adoram novidades - desconhecem é que empresas como a Nike e a Wilson, controlada pelo grupo finlandês Amer, gastam milhões de dólares para desenvolver produtos que simplesmente não existiriam sem a nanotecnologia. À primeira vista, o resultado parece um detalhe, mas em vista da concorrência crescente em seus mercados, pode significar a vitória sobre o adversário.

A última tacada da multinacional americana foi o lançamento da Nike Sphere-dry. São peças que usam uma tecnologia tridimensional, capaz de criar bolhas de ar que reduzem o atrito do material com outras superfícies. E que funções têm uma camiseta com nome tão pomposo? Simplesmente não permite que, com o suor, ela "cole" no corpo.

Das 34 raquetes de tênis que a Wilson vende no país, 11 já são feitas com nanotecnologia. "Começamos a fazer raquetes nano em 2004 e percebemos que houve uma enorme aceitação", diz Pedro Zanonni, diretor comercial da Wilson. "É uma tecnologia acessível, embora mais cara." O exemplar mais simples de raquete de tênis custa R$ 240, enquanto uma com nano sai por R$ 379.

Ainda no campo esportivo, a Speedo brilhou nas Olimpíadas de Atenas porque "vestiu" nadadores com sua "roupa que imita pele de tubarão", o Fast Skin II. "Unimos a ciência com a natureza", diz Roberto Jalonetsky, diretor de marketing da Speedo. Além da nanotecnologia, o Fast Skin usou tecnologia aeroespacial e da indústria cinematográfica.

Se a nanotecnologia será um novo divisor de águas - com aplicações que vão desde a indústria têxtil, cosméticos e plásticos até a área de saúde - por que, então, se sabe tão pouco sobre ela? Nem todas as empresas alardeiam que estão usando "nano".

"Há uma preocupação das empresas em explorar uma tecnologia que, apesar de nova, já vem sendo questionada pela sociedade civil sobre os impactos que pode causar", diz Jean Luc Gesztesi, cientista da Natura. A companhia explora elementos da biodiversidade brasileira e é reconhecidamente uma fabricante que se preocupa com o ambiente. "O que é novo vira alvo de discussões e o que não se quer, agora, é que a nanotecnologia gere polêmicas como as que aconteceram com os transgênicos."

A Natura, que já entrou na era nano no exterior e prepara-se para fazer lançamentos desse tipo no Brasil em 2007, está sendo cuidadosa com o tema. Com ajuda de consultores internacionais, vem estudando há três anos quais as possíveis aplicações da nanotecnologia na área cosmética. "No campo dos sonhos, tudo é permitido", diz Gesztesi.

Uma alternativa que vem sendo "sonhada" pela empresa é fazer cosméticos que ajam exclusivamente na região do corpo que demanda aquela aplicação. Isso só é possível porque a nanotecnologia permite injetar os produtos em nanocápsulas - que se abrem ou estouram somente em contato com o corpo ou outra superfície.

Apenas para efeito de comparação, na "calça que depila" as pernas a aplicação também funciona por meio de nanocapsulas. A indústria têxtil, aliás, é a que se mostra mais avançada no assunto. Agora, elas exploram tecidos inteligentes.

A Rhodia colocou no mercado o fio "Biotech", que impede a proliferação de bactérias, evitando a formação de odores. A Mizuno usou essa inovação para oferecer meias que não provocam cheiro ruim. "Quando se faz uma aplicação no fio e não apenas na superfície, o produto fica resistente a várias lavagens", diz José da Conceição Padeiro, gerente de marketing e desenvolvimento da Rhodia.
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