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Franquias ajudam o setor de bares e restaurantes a crescer
O nível de profissionalização das franquias de alimentação tem transformado uma antiga máxima do setor. Segundo ela, o sucesso de uma operação estaria relacionado com a presença constante do dono dentro do estabelecimento. Para Marcello Farrel, diretor da rede de lanchonete Bob’s, o chavão, hoje em dia, não representa uma realidade. Em sua opinião, mais que o olho do dono, a qualidade do produto e do atendimento são fundamentais. “Aquele negócio do umbigo do dono no balcão é um jargão e isso vem mudando. Em geral, as franquias, principalmente de alimentos, estão muito profissionalizadas. E o fator-chave para o sucesso é a qualidade”, opina o executivo, que pilota uma empresa que deve chegar a 1.110 lojas neste ano. “Um consumidor pode até comprar uma camisa sem ter um bom atendimento e quando chegar em casa ver que tem um furinho. Ele volta na loja, troca o produto e fica satisfeito. Com alimentação não é assim. A preocupação é naquele momento (da venda) com a qualidade e com o atendimento”, conclui.

Questionado também sobre o novo movimento de concorrência das redes estabelecidas com marcas estrangeiras, Farrel disse não enxergar um problema nesse novo momento. Segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), das 168 franquias estrangeiras, 35 são de alimentação. Uma presença que, para o executivo, tende a regular por cima o mercado. “Isso deve acelerar a formalização do setor. A gente enfrenta uma competição desleal com empresas informais.”

Atualmente, cerca de 20% do faturamento das franquias no Brasil vem do segmento de alimentação, ainda segundo dados da ABF. Esse modelo oferece benefícios a quem deseja empreender, entre eles, treinamento e padronização.

Para André Friedheim, diretor da ABF, observar a disposição das lojas em um shopping center – qualquer um – ajuda o empreendedor a entender a importância das franquias para o segmento. Segundo o especialista, 50% das lojas de um centro de compras são, atualmente, unidades franqueadas.

Mas quando se isola o movimento empreendedor nas praças de alimentação, esse porcentual sobe para 85%. “O nome do jogo, os porquês disso acontecer, é acesso. A franquia dá acesso para a marca, know how operacional, ganhos de escala e propaganda cooperativa, dá acesso a uma rede de negócios”, afirma.

Análise. Os participantes do debate ressaltaram, ainda, alguns pontos já conhecidos como fundamentais para quem pretende obter sucesso no setor por meio de franquias. Um deles é a escolha adequada do ponto comercial. E Friedheim, nesse aspecto, fez um alerta importante: até mesmo em uma praça de alimentação movimentada há locais bons e ruins.

O diretor da ABF acrescenta que o grande problema dos empreendedores atualmente são os custos embutidos no aluguel. “Antes era 15% do faturamento, mas hoje tem chegado a 25%”, disse. Farrel corrobora com a opinião do colega e explica que as cidades têm um “centro nervoso” e que é preciso estar nesse espaço para dar certo. “Às vezes, uma segunda opção pode ser mais atrativa, com aluguel mais baixo na rua de trás, mas ela pode ser uma armadilha”, analisou.

Planejamento. Outro tema analisado durante a 7ª edição do Encontro PME foi a sazonalidade de alguns produtos. O diretor do Bob’s afirma que isso não está relacionado com as estações do ano apenas, mas com partes de um mesmo dia. Segundo o executivo, é ideal – por isso mesmo – que o empreendedor desenvolva cardápios com itens para todas as etapas do dia. Essa estratégia tende a aumentar a lucratividade.

Mas alguns itens são atípicos e extrapolam as barreiras da sazonalidade, como o milk shake de Ovomaltine, exclusivo da lanchonete. “Esse produto representa 40% das nossas vendas”, revela o empresário.

Fonte: O Estado de S. Paulo
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