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Ambev planeja superar McDonald’s e Bob’s em franquias
Empresa põe em prática plano para ter mil lojas do chope Brahma, tornando-se a maior franquia de alimentos e bebidas do país.

Por João Sandrini


EXAME - A Ambev possui planos ambiciosos no setor de varejo e planeja virar em breve a maior franquia de alimentos e bebidas do Brasil em número de lojas. A expansão das unidades de venda do chope Brahma tem sido vertiginosa nos últimos anos. Passou de apenas seis lojas ao final de 2003 para 310 no ano passado. A meta da Ambev é alcançar mil unidades franqueadas no médio prazo, número que seria suficiente para colocá-la à frente das duas redes que tradicionalmente lideram os investimentos em marketing e a presença no setor de franquias de alimentos e bebidas: Bob’s (610 pontos de venda ao final de 2007) e McDonald’s (553 restaurantes e 49 McCafés ao final de 2007, segundo seu site oficial).

Diferentemente dos vendedores de hambúrgueres, a Ambev não almeja virar uma empresa focada em varejo. A fabricante de bebidas acredita que o chope exige um maior cuidado no atendimento ao consumidor e na apresentação do produto – já que seu prazo de validade é de apenas dez dias. Com a franquia, a Ambev consegue ter maior controle sobre o revendedor ao mesmo tempo em que aumenta a exposição da marca Brahma.

Para facilitar a expansão do número de lojas, a empresa estruturou internamente uma área de franquias com atuação nacional. Também desenvolveu três tipos de negócio, todos com baixo investimento inicial. O interessado em abrir uma franquia da Ambev pode optar por ter um quiosque do chope Brahma (com taxas de franquia de 10 mil a 60 mil reais), carrinhos de chope (10 mil reais) e lojas de produtos para festas da Brahma (entre 50 mil e 80 mil reais). Mais de 3.700 pessoas já se inscreveram no site da empresa como candidatos a abrir uma franquia.

Para não concorrer com bares e restaurantes que já revendem bebidas da Ambev, a idéia é espalhar quiosques e carrinhos do chope Brahma em aeroportos, rodoviárias, shoppings, supermercados, hotéis, parques, praias e até cinemas – ou seja, lugares em que o consumidor não tem o hábito de beber chope. “Nossa grande dificuldade hoje é acharmos bons pontos. Não queremos atingir essa meta de mil lojas a qualquer custo, só para sermos líderes. Precisamos ser lucrativos em todos os locais onde decidirmos investir”, afirma João Paulo Badaró, gerente de desenvolvimento de mercados da Ambev.

Consumidores podem comprar nas franquias chope claro, escuro, Brahma Black e refrigerantes da Ambev, além fazer escolhas em um cardápio de comida. As lojas são pequenas e não tem como objetivo reter o cliente por várias horas, como um bar. Segundo Renato Prado, analista de alimentos e bebidas da Fator Corretora, a meta da empresa é aproveitar o momento de crescimento da economia e da renda da população para oferecer aos consumidores produtos de maior valor agregado destinados às classes A e B – como o chope.



Renato Prado afirma que o consumo de cerveja per capita no Brasil é pouco superior a 50 litros por habitante em um ano – menor que o de outros países da América do Sul. O segmento premium, mais rentável, tem hoje apenas 5,5% do mercado brasileiro de cerveja – um percentual também baixo quando comparado aos índices internacionais. Esse filão, no entanto, tem crescido mais rápido que o mercado em geral. Hoje o principal marca premium da empresa é a Bohemia, mas há um grande esforço para vender outras marcas de cerveja mais caras - algumas delas importadas da Inbev, como a belga Stella Artois ou a alemã Löwenbräu. Também já chegam a muitos bares brasileiros as uruguaias Norteña e Patrícia. A argentina Quilmes, líder em vendas no país vizinho, pode ser a próxima.

Três tipos

Para driblar a dificuldade na obtenção de bons pontos, a Ambev apostou em carrinhos móveis ou lojas franqueadas pequenas - que podem, por exemplo, ser acomodadas em corredores de shoppings, assim como fazem algumas redes de cafeterias. Os quiosques de 15, 9 ou apenas 4 metros quadrados são o tipo de franquia mais disseminada - há 187 unidades no país. As taxas de franquia são de 60 mil, 35 mil e 10 mil reais, respectivamente. Não há gastos adicionais com o ponto ou com mobília – o quiosque é instalado pronto para funcionar pela Ambev. O franqueado deve pagar ainda 7% de seu faturamento bruto para a empresa a título de royalties e taxa de propaganda. Segundo a Ambev, a receita média dos quiosques alcança 30 mil reais e o investimento pode ser recuperado em 18 meses.

O segundo tipo de franquia mais popular são os carrinhos móveis. Há 120 unidades, vendendo chope principalmente na beira de belas praias do litoral paulista. Cada carrinho custa 10 mil reais, mas o franqueado só fecha contratos de no mínimo cinco unidades. O faturamento médio mensal alcança 7 mil reais e a promessa é de recuperar o investimento em 36 meses.



Finalmente, a Ambev também aposta em lojas Brahma Express. Há no país 13 unidades onde o consumidor compra chope em barril, aluga chopeiras e outros equipamentos para festa e pode até contratar serviços como de um tirador de chope. A Ambev empresta ao franqueado todos os materiais que serão alugados. Em troca, o franqueado se compromete a não cobrar o aluguel do consumidor – a receita vem só do chope vendido e dos serviços. As lojas exigem pontos de cerca de 250 metros quadrados, a taxa de franquia varia entre 50 mil e 80 mil reais, o faturamento médio mensal é de 90 mil reais e a expectativa de retorno é de 36 meses. Nessa área, o franqueado terá de enfrentar a concorrência da Femsa, que lançou no ano passado um serviço muito parecido com o da Brahma para sua marca Sol.



Polêmica

Após a publicação dessa reportagem, o Portal EXAME foi procurado pela assessoria de imprensa do McDonald’s, que informou que o número total de pontos-de-venda da rede é de 1.161 - e não de 602 como está em seu site oficial. O número também é diferente do informado à ABF (Associação Brasileira de Franchising): 544. Nessa conta de 1.161, a empresa soma ao número de restaurantes e McCafés todos os seus quiosques de sobremesas mesmo quando essas áreas estão localizadas dentro dos próprios restaurantes já contabilizados.

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